O autor argumenta ser favorável à definição de ciência e tecnologia apresentadas no PCN, visto que estas devem ter um papel cidadão. No entanto o interesse de grandes empresas influencia cada vez mais no que é desenvolvido como ciência.
O próprio autor utiliza o custo de oportunidade para chegar ao que é tecnologia e como esta influência a ciência. Uma empresa só aplicará investimentos em uma pesquisa científica quando possuir interesse de recuperar este investimento, ou seja, quando o produto a ser desenvolvido possa ter uma aplicação tecnológica que resulte em lucro para a empresa.
Sob este ponto de vista, não necessariamente o produto desenvolvido terá aplicação cidadã, visto que pode não ser de interesse da empresa que ele tenha preço acessível à pessoas de baixa renda.
Um exemplo é investimento restrito para pesquisas em doenças predominantes em países subdesenvolvidos e alto investimento em cosméticos.
Além do título, o texto apresenta um resumo com divisão demarcada do restante de seu conteúdo. A introdução apresenta o foco central (neutralidade na ciência) e a motivação para escrever sobre o assunto (PCN). No desenvolvimento apresenta referências e exemplos para definir neutralidade e imparcialidade, onde coloca a influência dos valores cognitivos e não cognitivos, além de destacar o custo de oportunidade. As referências bibliográficas são apresentadas nas páginas em que são empregadas e resumidamente ao fim do texto.
Uma das questões acadêmicas que o autor apresenta é sua concordância com a definição do PCN quanto a ciência e tecnologia, visto que defende que o estudo da ciência seja aplicado com um caráter cidadão. No entanto não deixa de mencionar que o PCN é alvo de muitas críticas, principalmente por não ter sido construído de forma democrática, com a participação de professores de ensino médio e fundamental. O tema é concluído no fim do texto, após a definição de neutralidade, imparcialidade e custo de oportunidade, sendo este último fortemente relacionado com a tecnologia, que por sua vez influencia a ciência, atribuindo um caráter não neutro a esta.
Outra questão abordada pelo autor é a diferenciação entre neutralidade e imparcilidade. Para o primeiro utiliza dos argumentos anteriormente apresentados. Já sobre o segundo atribui como imparcial aquilo que contem apenas valores cognitivos, ou seja, que se adequam a resultados experimentais e raciocínios lógicos. Dessa forma consegue diferenciar o que é neutro (não é produzido com o intuito de favorecer/prejudicar algo ou alguém) do que é imparcial (conhece pontos opostos sobre um mesmo assunto, porém se baseia em dados para tomar qualquer decisão).
No texto "Variações sobre arte e ciência", de Octavio Lanni não há uma divisão demarcada entre os elementos de texto, como a ausência de um resumo. Porém é possível notar que o autor introduz o tema a ser abordado recuperando brevemente a história das ciências e arte e apresentando os elementos que poderiam ser responsáveis por essa setorização.
No desenvolvimento do seu texto há exemplos que visam comprovar sua teoria, sendo que no fim há uma recuperação dos principais elementos apresentados a fim de concluir a tese apresentada. As referências bibliográficas aparecem descritas no corpo do texto, para as referências diretas e resumidas no fim do mesmo, contemplando todo o material utilizado pelo autor na elaboração do material apresentado.
Dentre as questões acadêmicas abordadas pelo autor, merecem destaque a discussão entre divisão de ciências e arte e a utilização da narrativa como forma de registro histórico do mundo moderno.
Sobre a primeira questão, inicialmente o autor apresenta a importância tanto da ciência (social, natural e filosofia) quanto da arte já no mundo antigo e logo depois sugere que a principal causa da divisão ocorrida, principalmente entre o fim do século XX e início do XXI, seja a especialização dos profissionais, institucionalização, positivismo e induções do mercado. No entanto, no decorrer do texto apresenta exemplos e argumenta sobre a importância da narrativa literária na revelação de temas importantes para a ciência e também sobre a utilização de narrativas com características literárias em textos científicos, como uso de entonação e ritimo, por exemplo.
No que se refere a segunda questão, o autor ressalta o uso da narrativa tanto em textos literários como científicos, havendo presença de diversos exemplos representativos de suas épocas em que os autores utilizavam de narrativas.
Comentar sobre três produções científicas em química, que possam ser aplicadas em curto prazo, é um pouco desafiador, visto que a maioria das pesquisas realizadas nesta área buscam desenvolvimento científico e não necessariamente uma aplicação imediata.
No entanto selecionei três que julguei bastante interessantes e aplicáveis em um período relativamente curto de tempo.
Este trabalho apresenta um dispositivo eletrônico (polímero condutor) capaz de absorver a energia solar e converter em energia elétrica. Além de apresentar grande estabilidade térmica, o que é essencial neste tipo de dispositivo, visto que irá esquentar e não pode perder eficiência com isso, também apresenta capacidade de conversão igual ou superior a similares, sendo potencialmente eficaz no que se propõe.
O estudo e desenvolvimento de células solares apresenta-se como uma resposta à necessidade de encontrar outras fontes de energia.
Catanoce estuda o modo como ocorre o "despelamento" de fitas adesivas a partir de medidas como força de adesão e emissão acústica, de forma que consegue restringir a duas regiões de frequências emitidas durante do "despelamento".
A partir desse estudo é possível desenvolver fitas adesivas que emitam menos ruídos ao serem "despeladas" e sejam melhor aplicadas em fraldas, por exemplo.
Aqui o autor desenvolve vídeos de experimentos químicos, de forma que o professor, impossibilitado de realizar o experimento com seus alunos, pode apresentar o vídeo e debater a reação química envolvida e todo o material utilizado, aproximando os estudantes da química experimental.
Dentre os trabalhos citados este é o mais prontamente aplicável, visto que depende apenas do interesse do professor e de um entendimento deste com os autores do vídeo.
O quadro de Portinari apresenta uma plantação de café e trabalhadores desempenhando diversas funções, como colher, selecionar e ensacar o café colhido. Também há uma mulher negra sentada e um homem branco dando ordens, além de sacos de café empilhados.
Neste quadro o que mais me chama atenção é a fisionomia cansada mas conformada no rosto de um dos trabalhadores, onde é possível quase sentir o sol forte no meio de uma tarde de muito trabalho.
TEXTO ARGUMENTATIVO
A música “Construção” de Chico Buarque consegue retratar intensamente a rotina do ultimo dia trabalho de um homem, que com intensidade amou e na simples realização da sua função morreu. Apenas trocando algumas seqüências textuais na letra da música o compositor consegue abranger diversos pontos de vista sobre o mesmo momento do dia, como é visto nos trechos: “sentou para sentar como se fosse sábado” e “sentou para descansar como se fosse o príncipe”
Sem deixar de mostrar o esforço e a necessidade do trabalho para o homem, o compositor ressaltou o lado “máquina” do trabalhador sem deixar de valorizar seu lado humano.
As quatro manifestações de trabalho apresentadas abordam experiências específicas do tema, de forma que é possível exemplificar com um quadro, analisar com uma música, regulamentar com um edital ou definir com uma fórmula. Porém, um assunto tão abrangente como este poderia ser representado em muitas outras situações.
Ao observar o quadro “O Café” que Portinari apresentou em 1934 não se pode ver apenas trabalhadores colhendo, moendo e ensacando o café, mas deve-se lembrar que nesta época os trabalhadores exerciam seu trabalho em condições precárias e o Brasil, o maior produtor de café, assim como o restante do mundo sofria as conseqüências da crise de 1929.
O decreto de Getúlio Vargas data de pouco menos de dez anos após o quadro de Portinari e tem como função regularizar o trabalho e garantir que o trabalhador seja minimamente valorizado pela sua atuação.
No texto apresentado encontra-se a fórmula do salário mínimo em que constam os itens necessários para a sobrevivência de um trabalhador adulto, de forma que ao vender sua força de trabalho este deve receber, pelo menos, o suficiente para se manter vivo com a mínima qualidade.
Já a música “Construção” de Chico Buarque coloca toda a intensidade de uma vida resumida nos últimos momentos vividos por um trabalhador, caracterizando-o como um individuo que, apesar de ter um papel fundamental na sua família e ama-la da forma mais grandiosa que pudesse, não passava de um trabalhador, que ao morrer, não fazia nada além de atrapalhar o trânsito.
A definição física de trabalho parece fugir da linha das outras três manifestações, visto que aparentemente uma forma de calcular a energia desprendida para mover um objeto num determinado espaço ao se aplicar uma determinada força não está relacionada ao trabalhador apresentado por Portinari ou por Chico Buarque.
Ao pensar que uma definição física normalmente é feita para facilitar cálculos aplicados a objetos e desenvolvimento de máquinas talvez não pareça possível relacionar esta forma de apresentar o tema com as três manifestações anteriores.No entanto, analogamente, a fórmula do salário mínimo resume a energia que o trabalhador desprenderá para se deslocar no período de um mês, considerando que precisa se alimentar, morar, vestir, limpar e se transportar durante este tempo.
Na minha área de trabalho, dentre as manifestações apresentadas, a forma mais aplicável é a definição física, visto que química e física estão relacionadas e é necessário conhecer a energia desprendida no meio de estudo. Porém, assim como a maioria das pessoas, seria uma trabalhadora sujeita a todas as condições e analises feitas a qualquer outro trabalhador.